quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fotografias da memória: Homenagem em linha ascendente… [Poema]


João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno

João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno
Linhares de Ansiães

Idalina Alice Costa | avó paterna

Álvaro de Castro (poeta) | tio-avô paterno
Linhares de Ansiães

Guilherme Lopes Trigo e Maria da Conceição | avós maternos

Virgílio de Castro (estudante no Porto) | meu pai

Meu pai e minha mãe, Ana Júlia Lopes
(Carrazeda de Ansiães)
***«»***

escultura sem título de Roberto Aizenberg

Homenagem em linha ascendente…

Aos meus pais
Aos meus avós

Ainda não paguei a dívida da vossa dádiva.
Nem sei se a pagarei.
O pó do tempo dissolve-se na memória
e ainda sinto o veludo dos afagos
e o respirar das vossas vidas.
As palavras ainda são as mesmas
- as desenhadas pelas incandescências
do fogo dos vossos lábios
e pelo eco das ressonâncias das vossas falas.
E é assim que vos trago no meu peito
enquanto vou traçando as marcas do meu caminho…

Alexandre de Castro

Lisboa, Dezembro de 2014

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Poema para Sophia


Poema para Sophia*

À poetisa
Sophia de Mello Breyner Andresen

O mar, sempre o mar
no feitiço do teu olhar
as palavras soltas
na rebentação da boca
como se respirasses pelas ondas
a tua poesia é sempre azul
com cheiros a maresia
e colheste da areia
todos os búzios que havia na praia
para o teu encantamento
agora sei e compreendo
da razão do teu espanto
quando te banhaste
com os deuses gregos
nas águas do mar Egeu
e os adoraste numa noite de luar
abraçada às colunas do Parthénon
para assim ascenderes
à tua condição divina.

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2009

* As referências ao tema “mar” preenchem grande parte da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, assim como os temas da cultura da Antiguidade Clássica, que estudou na Faculdade. Uma viagem, que fez à Grécia, proporcionou-lhe a inspiração para escrever alguns dos seus mais belos poemas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mulher entrando no Café Nicola



Mulher entrando no Café Nicola


A beleza desceu ao café Nicola,
contigo,
em cambiantes de azul,
desfazendo o cinzento da gente
que por ali circula
fez-se silêncio
quando entraste
apagaste as sombras e as penumbras
dos cantos e das esquinas
e a luz explodiu
nos nossos olhos deslumbrados
a recordar o esplendor 
de antigas iluminuras.

Alexandre de Castro


Lisboa, Agosto de 2004

Nem sempre foi assim [Fotomontagem do poema]


Impressão digital [Fotomontagem do poema]

Fotomontagem de Leila Gomes

Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite [Poema panfletário de sabor anarquista]




Agradeço à Leila Gomes a fotocomposição do poema.

Ver aqui,com outra formatação

Ver também aqui